SINOPSE:

A obra de ficção é baseada em fatos reais ocorridos no século passado, no interior do antigo Hospital Santo Ângelo, de Jundiapeba, que abrigou uma das maiores colônias de hansenianos existentes no País.

O autor se propõe a contar uma história envolvendo dois pacientes fictícios, Mateus e Fausto, para mostrar um universo raro e desconhecido do público em geral. “Um local onde as pessoas que entravam jamais alcançavam a liberdade, sendo obrigadas a reconstruir ali o seu mundo, mesmo que contra a sua própria vontade, mas ainda assim conseguindo ser felizes dentro de suas limitações e dos limites que lhes eram impostos”, diz Martinez, que relembra em sua obra a alarmante pandemia de hanseníase que tomou conta do País, no início do Século XX.

A doença, à época ainda sem cura e pouco conhecida em sua essência, levou o governo brasileiro a manter os portadores do mal em reclusão compulsória, após serem literalmente caçados pela “Polícia de Profilaxia da Lepra” e retirados da sociedade e de suas famílias “sem o mínimo de compaixão”. Verdadeiras cidades foram construídas para abrigar os doentes, entre elas a de Mogi das Cruzes, onde hoje se localiza o Hospital Dr. Arnaldo Pezzuti Cavalcanti. “Ali, o aspecto de calmaria e serenidade era confundido com as cercas de arame farpado, altos muros e jagunços fortemente armados do lado de fora da cerca, que tinham ordem para atirar, caso alguém tivesse a ousadia de tentar se evadir, dando à colônia certa conotação típica dos campos de concentração e extermínio”.