JAÚ E AS FORÇAS OCULTAS

 

Um dos maiores zagueiros do futebol brasileiro na época em que o amadorismo e o romantismo imperavam dentro e fora das quatro linhas do futebol atendia pelo nome de Euclydes Barbosa, nascido em São Paulo no dia 17 de Dezembro de 1909.

Euclydes Barbosa era um zagueiro negro, alto e forte, que tinha uma incrível impulsão. Sua impulsão era tão grande que era conhecido pela alcunha de “Jaú”, nome do primeiro hidroavião brasileiro que atravessou o Oceano Atlântico entre os anos de 1926 e 1927.

Jaú chegou ao Corinthians ao 1932, vindo do Scarpo. Suas grandes atuações o credenciaram como ídolo da torcida, sendo um dos grandes jogadores da equipe. Mas dias antes de um clássico contra o Palestra Itália, o jogador acabou recebendo uma oferta de suborno do zagueiro Abate, em nome do diretor do palestrino Roque Di Lorenzo. Jaú não aceitou o suborno e tratou de contar a oferta para o diretor do Corinthians Guido Giacominelli, que por sua vez tornou o caso publico e reclamou junto a APEA (Associação Paulista de Esporte Atléticos) que por sua vez puniu o dirigente e o jogador do rival.

No dia 06 de Novembro de 1932, no campo do Parque Antártica, Corinthians e Palestra Itália duelaram. Ao final da partida o placar apontava 3 x 0 para os palestrinos. Jaú continuou negando o suborno, mas mesmo assim jamais se livrou da pecha de “vendido”.

A partir daí o zagueiro passou a ser perseguido pela torcida, deixou o Corinthians em 1937, pouco depois de ter conquistado o primeiro título da era profissional do clube, transferindo – se para o Vasco da Gama, clube que defendia quando foi convocado para a disputa da Copa do Mundo da França em 38. No mundial atuou uma única vez, na partida de desempate entre Brasil e Tchecoslováquia, vencida pelo Brasil por 2x1.

Quando se aposentou o zagueiro virou pai – de – santo, inspirando inclusive o folclórico personagem “Pai Jaú”, criado para o épico humorístico “Show de Rádio” de Estevam Sangirardi e equipe. Muitas correntes dão conta de que Jaú havia enterrado um sapo no Parque São Jorge em repúdio a aqueles que o acusavam de traidor e vendido, creditando a ele a fila de 23 anos sem títulos. Jaú que era Corintiano de coração, sempre negou a história, declarou que mesmo magoado, jamais teria coragem de agir contra o Corinthians.

O zagueiro faleceu em São Paulo no dia 16 de Dezembro de 1988 aos 79 anos de idade. Jau negou, porém na década de 60, Lula, ex técnico do Santos de Pelé que havia sido chamado para tentar quebrar o tabu Corintiano, encontrou um sapo enterrado ao lado de uma das traves no Parque São Jorge.